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O imaginário da língua espanhola. Da sala de aula ao ciberespaço
 

Ana Lúcia Pederzolli Cavalheiro y Valesca Brasil Irala (EDUCAT, 2007)
ISBN 978857590095-6
http://educat.ucpel.tche.br

PRESENTACIÓN (en portugués)

     O imaginário da língua espanhola. Da sala de aula ao ciberespaço. Entre um e outro lugar, duas trajetórias de estudo se encontram a partir de preocupações temáticas afins de pesquisadoras que, durante o tempo de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Católica de Pelotas, interrogaram-se sobre questões ligadas ao campo da lingüística aplicada ao ensino da língua espanhola. Mais complexas, menos evidentes e ingênuas, tais questões construíram as reflexões das autoras, Ana Lúcia Pederzolli Cavalheiro e Valesca Brasil Irala, que conseguiram contemplar a dimensão sócio-histórica implicada na relação entre o sujeito e a língua estrangeira, aí prevalecendo o problema identitário.

     Por um lado, Ana Lúcia Pederzolli Cavalheiro focaliza o estranhamento que se produz no sujeito a partir do contato com um novo idioma, baseada em princípios da análise de discurso de Michel Pêcheux com ênfase na sua relação com questões de cunho psicanalítico. Esse estranhamento diz respeito à desestabilização gerada pelo reconhecimento da fragmentação da identidade unificada pela pátria-mãe e pela língua da infância que é invadida por um elemento exógeno que faz emergir a diferença e expõe dramaticamente* a cisão do sujeito: ser outro, ver com o olho do outro e dizer o mundo e se dizer de um outro lugar e de uma outra maneira. Decorrem daí, segundo a autora que retoma a fala de Revuz (1998), sentimentos de contradição e ambigüidade, pois o sujeito deseja estar na língua estrangeira, mas sem soltar as amarras, evitando assim o sentimento de exílio da língua materna. Esse sentimento de exílio diz respeito à relação afetiva que se estabelece entre o sujeito aprendiz e a língua a ser aprendida, sentimento fundado na possível entrega a um lugar desconhecido, visto como ameaça e não como liberdade.

     Em posse de tais princípios, a autora busca resgatar os saberes constituintes da memória do professor de espanhol, com a finalidade de (re)conhecer os sentidos atribuídos ao espanhol como língua estrangeira.  Através de gravação em áudio, analisou relatos de professores universitários de língua espanhola – uns, tendo o espanhol como língua materna, outros, o português - que discorreram sobre seu envolvimento e experiência com o idioma outro e sua constituição como profissionais de língua estrangeira.

     Para isso, mobilizou principalmente aportes teóricos da Análise de Discurso na tradição de Michel Pêcheux e da Teoria da Enunciação na perspectiva de Jacqueline Authier-Revuz e, de forma subsidiária, conceitos provenientes da Filosofia – Castoriadis -, dos Estudos Culturais sobre a pós-modernidade – Stuart Hall e Tomás Tadeu da Silva – e da Lingüística Crítica – Kanavillil Rajagopalan.

     O que une os fragmentos constituintes desse caleidoscópio teórico em que se combinam adequadamente reflexões pertinentes acerca do ensino de língua estrangeira, no caso específico, o espanhol, é a questão imposta pelo seu trabalho de compreender de que forma funciona a determinação sócio-histórica no sujeito pós-moderno em sua condição de professor. Através da análise efetuada, a autora consegue mostrar a heterogeneidade que caracteriza o espaço discursivo em que se movimentam diferentes posições que constituem esse sujeito. Tal fragmentação diz respeito ao movimento pendular – ora significa sua identidade a partir da língua materna, ora a partir da língua estrangeira – que sinaliza um sujeito não coincidente consigo mesmo. Isso, de alguma forma, deve-se, segundo a autora, a discursos anteriores aos quais o sujeito foi exposto nos cursos de letras, pautados ou por uma visão pragmática em que o imediatismo da situação de comunicação é privilegiado ou por um culturalismo que se caracteriza por uma atitude de negação do imperialismo lingüístico norte-americano. Essas visões determinam, em sua perspectiva, as representações sobre a língua espanhola que definem a constituição das identidades de professores e alunos. 

     O texto da autora é, pois, marcado pela sua posição de professora de espanhol empenhada em compreender os fios que historicamente tecem a relação conflituosa do sujeito com a língua estrangeira. O que nos dá a conhecer nestas páginas poderá contribuir certamente para uma série de reflexões acerca dessa relação. Trata-se de um trabalho que aprofunda temas complexos e, por vezes, polêmicos, mas certamente necessários ao conhecimento daquilo que subjaz às práticas pedagógicas empregadas no processo ensino-aprendizagem de língua estrangeira.

     Valesca Brasil Irala, também professora de espanhol, analisa o conflito em que se debate o ensino da língua espanhola no caminho de sua internacionalização: de um lado, uma força central e conservadora, tentando manter a língua estável e uniforme; do outro, uma força que vai trabalhando da periferia para o centro, introduzindo mudanças nessa mesma língua.  Não é apenas o tempo que faz mudar a língua, num movimento diacrônico, mas também a geografia, principalmente quando a língua tenta se expandir para outras terras e outros povos. Ao se internacionalizar, o espanhol, como já aconteceu com o inglês, não é apenas o instrumento de dominação de um país central, mas também, por oposição, um espaço de contestação para os falantes das regiões da periferia.  A comunidade nacional e única, com uma identidade supostamente bem definida, diversifica-se em múltiplas identidades, cada uma usando e modificando a língua na tentativa de veicular outros sentidos e outros valores.

     A preocupação maior da Valesca é investigar como o professor de espanhol se posiciona diante desse embate entre uma língua imaginariamente superior, que se julga capaz de apagar as diferenças internas, vistas como insignificantes, e uma língua fluidamente mestiça, sem raça definida, mas sedutora o suficiente para embaraçar a outra na pureza que tão desesperadamente tenta preservar.  Para verificar esse posicionamento, constrói uma narrativa, ao mesmo tempo pessoal, mostrando sua caminhada na conquista do novo idioma, e social, quando  analisa três listas da Internet, em que se discute o ensino do espanhol no Brasil e no mundo.  Não é apenas a língua que se mistura e incorpora variedades regionais, mas também o estilo da autora, que incorpora à sua voz a voz de outros professores e pesquisadores, combinando a perspectiva pessoal com a visão da academia.  O resultado é um texto simultaneamente informativo e gostoso de ler.

     As listas são os espelhos do mundo.  O que acontece lá fora, no mundo real, reflete-se aqui dentro, no mundo virtual, misturando-se de maneira indistinta.  É o que mostra a autora.  Aqui, como lá, surge o mosaico de identidades abrangido pela língua espanhola, com as mesmas tentativas de silenciamento das vozes discordantes. Aqui, como lá, há o embate da diversidade interna da língua, com posicionamentos apaixonados dos dois lados, também muitas vezes apenas vislumbrados, devido às tentativas de apagamento dos moderadores das listas – como acontece no mundo real com a ação de órgãos oficiais encarregados da preservação da língua.  Aqui, como lá, surgem as tentativas de hegemonização do espanhol como língua internacional, enredando-se no paradoxo de tentar ao mesmo tempo preservar e expandir a língua, como se fosse possível a conquista do mundo sem a perda da pureza original. 

     O trabalho das duas professoras mostra que a aprendizagem da língua estrangeira evoluiu muito além das questões meramente metodológicas da sala de aula para abarcar questões de reflexão crítica, tanto em termos do estranhamento que se cria no sujeito que tenta apropriar-se do novo idioma, como em termos dos conflitos que surgem dentro da comunidade em que esse sujeito tenta ingressar.  É como se houvesse uma fragmentação dupla: uma dentro do sujeito, dividido entre a segurança da língua materna e o desejo de se aventurar na língua estrangeira; e a outra na comunidade dos falantes da língua, envolvida num jogo de poder e dividida entre forças conservadoras e renovadoras.  É nesta direção que caminha, a quatro mãos,  o livro de Ana Lúcia e Valesca.

Aracy Ernst e Vilson Leffa

*O termo dramaticamente deve ser tomado aqui numa dupla direção: como cena, conflito ou ação teatral e como acontecimento patético.

Mini-currículos das autoras:

Ana Pederzolli Cavalheiro graduou-se em Letras  - com habilitação em Língua Espanhola e Literaturas de Língua Espanhola no ano de 2003,  pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), onde atualmente desenvolve pesquisa interinstitucional com a URCAMP sobre “Competência Literária em Espanhol como Língua Estrangeira” e orienta trabalhos de iniciação científica que abordam essa temática. Concluiu o mestrado  em Letras, com área de concentração em Lingüística Aplicada,  pela Universidade Católica de Pelotas, em 2005,  na área de  Análise de Discurso, com a dissertação “Representações da Língua Espanhola: no imaginário dos professores, o amor à língua materna”, tendo sido bolsista da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) durante os dois anos de sua pesquisa. Atualmente é professora titular de Língua, Literaturas e Culturas de Língua Espanhola da Universidade da Região da Campanha (URCAMP) em Bagé. É pesquisadora do grupo “Análise do Discurso e estudos de gênero”, da Universidade Católica de Pelotas e também participa do projeto “Pragmática Transcultural”, na Universidade Federal de Pelotas. Além disso, vem desenvolvendo pesquisas sobre Lingüística e Psicanálise e também sobre leitura na sala de aula de língua estrangeira.

Valesca Brasil Irala  é formada em Letras (Português-Espanhol) pela URCAMP-Bagé-RS.  Tem Pós-Graduação a nível de especialização em Língua Espanhola, é mestre em Lingüística Aplicada e é doutoranda na mesma área, pela Universidade Católica de Pelotas. Possui Diploma Superior  de Espanhol  como Língua Estrangeira expedido pelo Ministério de Educação da Espanha. Trabalhou em escolas públicas (estaduais e municipais) e  particulares com o ensino de Espanhol . Em 2003 ingressou no magistério superior, na Universidade da Região da Campanha, atuando nas diversas disciplinas de Língua Espanhola que oferece o curso de Letras. Desde 2006  é professora efetiva da área de Língua Espanhola e Lingüística Aplicada na Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). Tem diversos trabalhos de pesquisa apresentados em congressos de âmbito nacional e internacional e  artigos científicos publicados citados por pesquisadores brasileiros e estrangeiros,  entre eles o Prof. José del Valle, da City University, de Nova York;  a professora Leonor Acuña, da Universidade de Buenos Aires; Talia  Bugel,  da Indiana University  e Cruz Piñol, da Universidade de Barcelona. Vem desenvolvendo pesquisas na área de Análise do Discurso, Aprendizagem mediada por computador e ensino de espanhol.

 

 
 
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